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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

5 truques sujos para manipular likes e views das redes sociais



SEU AMIGO VIRTUAL É UM ROBÔ

Para que esperar seu total de seguidores crescer naturalmente se você pode contratar um software para criá-los artificialmente? “Esses programas são chamados de bots, e executam tarefas online mais rápido que os humanos”, explica André de Carvalho, do Instituto de Ciências Matemáticas e da Computação da USP. Basta dar o comando uma vez (como criar contas para te seguir no Twitter) e deixá-lo trabalhando sozinho.

LIKE EM CATIVEIRO

Bots não são novidade – e as principais redes sociais têm sistemas para tentar detectá-los e eliminá-los. Mas os trambiqueiros deram um jeito de criar algo mais “artesanal”. O jornal inglês Daily Mirror localizou, na China, uma “fazenda de cliques” com mais de 10 mil smartphones operados remotamente para curtir páginas e seguir contas de quem pagasse por isso. Em Bangladesh, havia outra ainda mais cruel: pessoas de verdade passavam o dia curtindo posts e seguindo contas por míseros US$ 120 ao ano.

QUER PAGAR QUANTO?

Usando um e-mail falso, a ME conversou com algumas empresas especializadas em vender likes. O preço médio de 500 curtidas no Facebook é de R$ 170. Para YouTube, é mais barato: R$ 3 a cada mil visualizações. Nenhum dos prestadores do serviço admite o uso de bots. Existem pacotes mais baratos, os “internacionais” – com seguidores que não necessariamente falam a sua língua. (Aliás, recentemente, um shopping russo implantou uma máquina de venda de seguidores, aos moldes das máquinas de refrigerantes).

MILITÂNCIA AUTOMATIZADA

Os bots também costumam ser utilizados para tentar vencer, “no grito”, o fla-flu que virou a política brasileira nas redes sociais. Em 2013, VEJA denunciou que figuras como Aécio Neves, Renan Calheiros e Agnelo Queiroz tinham uma rede de fãs que só existiam online. Eram bots que intercalavam posts sobre assuntos variados e mensagens de apoio a eles. Nas eleições presidenciais de 2014, além de Aécio, foi a vez de Dilma Rousseff ser flagrada pela BBC Brasil realizando o mesmo truque.

VIU UM, VIEW OUTRO

Não acredite em tudo que vê – literalmente. O canal do YouTube Café com Cinema colecionava centenas de milhares de views e várias vezes ficava no ranking dos mais assistidos do dia. Mas usuários estranharam que esses vídeos tinham pouquíssimos comentários e compartilhamentos, algo esperado de qualquer hit na internet. A fraude foi descoberta: os vídeos ficavam escondidos em sites de streaming de anime. Toda vez que alguém clicava para assistir a um episódio de Naruto, por exemplo, dava play nos vídeos do Café com Cinema e nem desconfiava.

© Mundo Estranho Redes-Sociais-Apps
A REGRA NÃO É CLARA

Como esperar que usuários se comportem se as próprias redes sociais são ótimas em manipular dados?

A CARTILHA SECRETA DO FACEBOOK

Recentemente, o jornal The Guardian revelou um documento exclusivo para funcionários do Face com diretrizes sobre o que é ou não permitido nas postagens. Muitas das regras (desconhecidas do grande público) causaram polêmicas. Por exemplo: em certos casos, podem até ser permitidas fotos de bullying, de abuso de crianças ou de animais, e vídeos de morte violenta ou mesmo automutilação. Vídeos de aborto são aceitáveis – desde que não haja nudez. Aliás, projetos artísticos de nudez só são aceitos se foram feitos à mão, e não digitais. Em 2016, o Facebook também foi acusado de “inflar” em até 80% suas estatísticas sobre vídeos. A empresa declarou que era um “erro” do sistema, já consertado.

A MAÇONARIA DO TINDER

Na vida real, quem está fora de uma balada milionária não consegue conhecer ou paquerar alguém lá dentro. Uma das promessas do Tinder era nivelar esse jogo – afinal, no app, todo mundo tem acesso a todo mundo, correto? Errado. Uma parcela dos usuários está restrita. Eles foram selecionados pela curadoria do próprio aplicativo para participar do Tinder Select (também conhecido como Tinder Black). Só os mais ricos, famosos ou bonitos recebem o convite.

O ANABOLIZANTE DO SNAP

O Snapchat inflava seu número de usuários artificialmente para impulsionar ainda mais o seu valor de mercado. A acusação foi feita por Anthony Pompliano, ex-funcionário responsável pelo time de crescimento do aplicativo. Ele move um processo judicial contra a empresa, alegando que foi demitido por ter se recusado a dar continuidade ao plano. A Snap emitiu um comunicado dizendo que o conteúdo do processo é apenas obra de um ex-funcionário insatisfeito.

FONTES Sites Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, VEJA, The Guardian, El País, The New York Times, The Daily Mirror, The Telegraph, Track Mavens, O Globo, EXAME, Brainstorm 9, Meio e Mensagem, Olhar Digital, Bloomerang e Buzzfeed News Brasil

CONSULTORIA André Carlos Ponce de Leon Ferreira de Carvalho, professor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP


https://www.msn.com/pt-br/noticias/ciencia-e-tecnologia/5-truques-sujos-para-manipular-likes-e-views-das-redes-sociais/ar-BBHV66k?ocid=spartandhp https://raizesdigital.wordpress.com/

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Cuidado: O seu celular te ouve e te vê e grava para sempre!



Fotos do seu filho na rede movimentam um mercado bilionário; entenda

'Selfie' com o filho pode ser detectado e virar publicidade para você Imagem: Getty

Marcos Candido

Do UOL, em São Paulo


Você publica fotos do filho pequeno nas redes? Se a resposta for sim, você já deve saber que não está só. Uma pesquisa mostra que 66% dos pais brasileiros postam imagens dos filhos nas redes sociais. A cada vez que uma foto deles vai parar na rede, a imagem é identificada por centenas de códigos automáticos (ou robôs) que mapeiam sua vida e vendem seus hábitos a troco de cifras bilionárias.

Seus dados geram publicidade

Funciona assim: cada ação feita nas redes sociais, sites ou aplicativos é lida por códigos que podem mapear quais produtos buscamos em lojas on-line, se estamos atrás de um ‘crush’ e até mesmo nossos ciclos menstruais.

Com essa identificação, as empresas distinguem quem é o usuário conectado e quais objetivos ele mantém na vida real. Os dados ajudam os programadores a melhorar o serviço prestado, mas também fazem dinheiro entrar no caixa: as empresas pagam aos sites para veicular anúncios até você.

“No final das contas, a cada clique, 'curtir' ou 'compartilhar', estamos trabalhando para aprimorar algoritmos dessas grandes empresas, como Google e Facebook. Em troca, 'ganhamos' publicidade adaptada aos nossos hábitos enquanto eles ganham bastante dinheiro”, explica Joana Varon, diretora da Coding Rights. Nos três primeiros meses deste ano, o faturamento do Facebook com propaganda foi de 7,8 bilhões de dólares.

Seu smartphone te ouve e te vê

É bem possível que, por exemplo, com fotos ao lado dos filhos no Instagram, um robô reconheça a feição da criança e apresente anúncios de fraldas, produtos ou programas infantis e mais serviços personalizados para pais. Outro robô pode ler as mensagens por escrito e até mesmo o microfone do smartphone detecta quais assuntos conversados no dia a dia. Às vezes, nem é preciso fazer nada.

No início de outubro, um jornalista de São Paulo publicou no Facebook o relato de um e-mail inesperado: o serviço de armazenamento de fotos on-line, onde mantém o arquivo pessoal da família, havia criado um filme em comemoração aos quatro anos de vida da filha. Os vídeos que ele havia registrado nunca haviam sido publicados nas redes sociais. mas, mesmo sem que ele pedisse, o site detectou os traços da criança e editou o filme de maneira automática. A notícia causou espanto entre seus seguidores.

Tenha em mente que os dados ficam registrados para sempre

Anônimos e famosos ganham milhares de likes e compartilhamentos com fotos dos filhos publicadas nas redes sociais. Enrico Bacchi, filho da atriz Karina Bacchi, com cerca de dois meses de idade já tem 546 mil seguidores no Instagram.

Esse tipo de comportamento gerou até um termo em inglês: o “shareting”, uma mescla das palavras “share” (compartilhar) e “parenting” (que pode ser traduzido como o ato de ser pai ou mãe).

“O ‘shareting’ ajuda a coletar dados e acaba criando uma personalidade do filho pela vida inteira, desde o começo da vida”, explica Pedro Hartung, advogado do Alana, instituto especializado em direitos da criança.

Segundo ele, é importante pensar sobre quais são os níveis de privacidade do filho, ainda criança, na rede. “Publicações geram o que chamamos de rastros digitais”, explica. O advogado diz que é preciso que o pai tenha consciência de como a exposição à publicidade a entrega de dados do filho possa afetá-lo no futuro. “As plataformas, apps e empresas no mundo digital têm a responsabilidade ser respeitar e preservar a criança em seu desenvolvimento", conclui.

O que eles dizem

Em nota, a Google diz que, no caso da publicidade direcionada, "o objetivo é mostrar anúncios que sejam relevantes para os usuários". Para isso, a empresa afirma usar "dados coletados de dispositivos, incluindo buscas e dados sobre localização, bem como websites e aplicativos usados, vídeos e anúncios vistos" e "informações pessoais fornecidas por eles, como faixa etária, gênero e interesses".

A empresa afirma não vender dados de usuários diretamente a terceiros e que também oferece opções de controle de privacidade ao usuário. A reportagem não conseguiu entrar em contato com o Facebook;.


https://estilo.uol.com.br/noticias/redacao/2017/10/12/as-fotos-do-seu-filho-na-rede-geram-um-mercado-de-bilhoes-de-dolares.htm