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sábado, 30 de setembro de 2017

A importância da área de inteligência nas empresas.



Area de inteligência das empresas

Diversas corporações já possuem uma área de inteligência empresarial. Visto que nem todas as empresas implantaram esta área, resolvi reunir conhecimentos que adquiri em fóruns, eventos, leituras, discussões e minha experiência profissional, para escrever, de forma objetiva e clara, as 11 Dimensões da Área de Inteligência Empresarial e os benefícios de cada dimensão.

A área de inteligência empresarial é responsável por elaborar, aplicar e manter cada dimensão. Nas empresas que já possuem a área, a área de inteligência empresarial está, via de regra, alocada no Departamento de Marketing, Comercial e/ou Controladoria. Porém, em algumas empresas a área se tornou independente. Existem Diretores de Inteligência em diversas corporações no Brasil e no mundo.

Importante destacar que o escopo da área de inteligência empresarial é diferente do escopo das áreas de Marketing, Comercial, Controladoria, Financeiro, Operações e Tecnologia da Informação (TI).

Notadamente:

Marketing é responsável pela marca

Comercial é responsável por vendas

Controladoria é responsável pela contabilidade e impostos

Financeiro é responsável pelo capital

Operações é responsável pela produção

TI é responsável pelos sistemas

Inteligência Empresarial une as informações de todas as áreas acima e correlaciona com informações externas. As dimensões a seguir explicam como isso é feito.



As duas dimensões iniciais tem custo de implantação baixo e os benefícios surgem em pouco tempo. São acessíveis a grande maioria das empresas, não importa o tamanho.

Vamos a elas:

Dimensão 1 - Correlação dos Principais Indicadores Corporativos

Como funciona? A correlação dos dados comerciais, de produção, contábeis e financeiros disponíveis nos sistemas de informação das empresas (Enterprise Resource Planning - ERP) com informações macroeconômicas (Fontes: IBGE, Banco Central, FGV, FIPE e outros) permite transformar estas informações em conhecimento.

Qual é o benefício? O conhecimento adquirido com esta correlação permite criar novas ações de vendas e praticar melhor gestão financeira. O benefício da implantação da área de inteligência empresarial começa a aparecer com os resultados dessas novas ações. Em longo prazo, com o processo estruturado (Plan-Do-Check-Adjust - PDCA) de apresentação dos resultados e o acompanhamento da evolução dos indicadores mais relevantes (Key Performance Indicators - KPIs), torna-se possível construir projeção do faturamento, das margens e do lucro e calcular o retorno das ações de vendas e dos investimentos (Return On Investment - ROI). O amadurecimento deste processo faz com que as Decisões Estratégicas sejam cada vez mais consistentes.

Dimensão 2 – Monitoramento do Ambiente Empresarial Externo

Como funciona? A alta administração tem tempo livre para monitorar os concorrentes, no mínimo, uma vez por semana e ler todas as notícias relevantes? Tempo é dinheiro e ter acesso a informações em tempo real sobre ações estratégicas dos concorrentes, inovações, notícias econômicas, políticas, sociais e jurídicas permite que a empresa não seja surpreendida. É muito melhor ser o primeiro a saber.

Qual é o benefício? O mercado muda o tempo todo. Às vezes, a entrada de uma nova lei, uma decisão política, algum movimento social, inovações, podem impactar o resultado dos negócios. Vence quem acompanha os movimentos, percebe as tendências e consegue interpretar quais os caminhos mais adequados. Identificar as melhores práticas de mercado (benchmarking) gera vantagem competitiva. A situação ideal é sempre liderar as inovações. Se não for estratégia do empresário o pioneirismo, o mínimo necessário é acompanhar as tendências para não ser surpreendido. Hoje em dia, profissionais conseguem criar aplicativos que são capazes de desestabilizar mercados consolidados há décadas (“tecnologia disruptiva”). Existem vários casos de empresas que eram líderes globais e foram à falência pelo fato de não terem acompanhado as mudanças no mercado.

O tema “Monitoramento do ambiente empresarial externo” é frequentemente abordado no Fórum de Inteligência de Mercado organizado anualmente pelo Instituto Brasileiro de Inteligência de Mercado (IBRAMERC). Em 2013, por exemplo, a principal palestrante do Fórum foi a especialista internacional Seena Sharp, autora do livro “Inteligência Competitiva: Como minimizar o risco, evitar surpresas, e crescer seu negócio em um mundo em mudança”.

Dimensão 3: Criação de Canal de Comunicação entre a Indústria e o Varejo

Como funciona? No ponto de venda a hora da verdade acontece. Para o faturamento aumentar, ajustes constantes precisam ser feitos e uma das formas de descobrir o que pode ser melhorado é criar um canal de comunicação da Indústria com o Varejo. Oferecer espaço para a exposição de opiniões por escrito gera proximidade, além do acesso a informações extremamente relevantes e atualizadas.

Qual é o benefício? Os clientes potenciais geralmente comentam sobre os produtos/serviços/preços. Se estes comentários não forem registrados pelo varejista este conhecimento irá se perder, mas quando o registro é realizado, estas informações podem gerar ideias (insights) de como criar ações de venda e produtos mais atraentes. Além disso, cria motivação adicional a quem executa a venda. A motivação de quem está em contato direto com o cliente é um dos fatores de sucesso para alavancagem das vendas.

Dimensão 4: Precificação Estratégica

Como funciona? Quanto o aumento de centavos no preço de produtos/serviços representará em crescimento no faturamento ao longo de uma década? Por outro lado, negociar uma pequena redução do preço do produto/serviço pode ser a cartada final para o fechamento de um bom negócio. A política de preço é um dos fatores mais importantes na estratégia de qualquer empresa.


Qual é o benefício? O resultado de qualquer negócio é impactado pela assertividade da estratégia de preço. Um dos principais fatores na formação da imagem da marca é a relação custo-benefício que o consumidor faz do produto/serviço em relação ao oferecido pelos concorrentes. Qualquer mudança no preço afeta a rentabilidade da empresa. Ou seja, o preço é uma das variáveis mais relevantes. A criação do Fórum Brasileiro de Precificação Estratégica demonstra a importância da definição de preços de produtos e serviços e os desafios para sua consolidação.


Dimensão 5: Geomarketing

Como funciona? Um dos principais fatores que influenciam o interesse dos clientes potenciais em escolher uma loja é a LOCALIZAÇÃO. Com a associação de diversas informações em mapas geográficos digitais é possível visualizar: o perfil demográfico e a estrutura de cada região, estabelecimentos geradores de tráfego (shoppings, escolas e supermercados, por exemplo), lojas dos concorrentes, entre outros. Com acesso a estes dados é possível saber quais são os locais com maior potencial de faturamento para instalação de lojas e para exposição de produtos/venda de serviços.

Qual é o benefício? Com as informações que o Geomarketing fornece é possível segmentar o público alvo e estimar o potencial de vendas em determinada região. Desta forma, a possibilidade de erro no momento da escolha dos pontos de venda é reduzida. Outro grande benefício é o acompanhamento dos movimentos da concorrência e dos estabelecimentos geradores de tráfego.

Dimensão 6: Verificação da Experiência de Compra do Cliente

Como funciona? Quando o cliente entra na loja e é mal atendido, ele dificilmente compra. Se a loja tem uma estrutura deficitária, mal cuidada, muitos clientes nem entram na loja. Se o cliente entra no site da empresa e as imagens demoram a carregar e/ou clica em um ícone com erro, ele migra para o site da concorrência. Para a empresa entrar no jogo, a busca pela experiência satisfatória precisa ser diária. Cabe a área de inteligência empresarial verificar periodicamente se a experiência satisfatória está sendo buscada utilizando ferramentas como cliente oculto e auditoria de rede por exemplo.

Qual é o benefício? O princípio básico para motivar o consumidor a comprar e recomprar é oferecer uma experiência satisfatória. A falta de controle na operação faz com que a empresa perca muito dinheiro. O resultado das campanhas de Marketing fica muito comprometido se a operação não trabalhar em sintonia. Assim, é imprescindível identificar os desvios na operação com objetivo de aumentar o faturamento.

Dimensão 7: Gestão de Clientes Potenciais

Como funciona? Toda vez que alguém fornece informações pessoais para uma empresa, seja através de cadastro ou outro meio, se torna cliente potencial (lead). O objetivo da gestão de clientes potenciais é conseguir converter o maior número possível de leads em novos clientes. Se esta gestão for bem feita, se transforma em uma “mina de ouro”, porém, se for mal feita, é capaz de gerar experiência negativa, reclamações em redes sociais e afetar a reputação da marca.

Qual é o benefício? O objetivo da gestão de clientes potenciais é identificar formas para aumentar a conversão de leads em novos clientes. Com o registro do histórico dos contatos é possível identificar melhores abordagens com o intuito de ampliar a conversão. Em geral, quando o contato é feito apenas para “bater metas” e “empurrar” produtos, o cliente potencial tende a rejeitar este contato e falar mal da empresa. Quando o contato é feito com objetivo de atender eventual necessidade ou desejo do cliente potencial, as chances deste contato ser bem recebido são maiores. No site da Endeavor, existem vários exemplos de como gerar mais Leads.

Dimensão 8: Gestão de Relacionamento com Clientes

Como funciona? Consiste em gerenciar todas as interações da empresa com os clientes atuais. O objetivo é identificar quais práticas funcionam e quais não funcionam no contato com os clientes e poder compartilhar essas informações internamente.

Qual é o benefício? Evitar que sejam cometidosos mesmos erros do passado, aprender com as melhores práticas e extrair ideias (insights) para novas ações de venda e novos produtos. Vale ressaltar que quando essa gestão é feita apenas com base no contato pessoal/direto, diversas informações se perdem. Por isso, muitas corporações mantêm todas as atividades e interações dos clientes com a empresa armazenadas em sistema interno usualmente chamado Customer Relationship Management (CRM). A importância da gestão de relacionamento com clientes pode ser demonstrada com o crescimento de 13,3% em 2014 do Mercado mundial de software de CRM (Fonte: Gartner - maio/2015).

Obs: Algumas corporações utilizam o CRM também para a “Gestão de Clientes Potenciais” (Dimensão 7).

Dimensão 9: Sistema de Inteligência de Negócios

Como funciona? Trata-se de um sistema onde é possível correlacionar informações internas (financeiras, contábeis, comerciais, marketing e estratégicas) e externas (balanço patrimonial de empresas de capital aberto, informações macroeconômicas atualizadas como PIB, renda per capita, IPCA, IGP-M, IDH, entre outras).

Qual é o benefício? No momento em que a empresa constata que todo seu conhecimento está espalhado e que essas informações são perdidas quando, por exemplo, um funcionário se desliga, ela percebe que organizar as informações em um único sistema irá contribuir com o futuro dos negócios, pois agilizará a tomada de decisões e reduzirá a possibilidade de erros. Assim, um dos maiores benefícios do sistema de inteligência de negócios (Business Intelligence – BI) é a reunião de informações estratégicas em painéis com os principais indicadores atualizados (dashboards), trazendo agilidade na busca e segurança das informações. No site cio.com.br tem algumas razões para implantar o Business Intelligence.

Dimensão 10: Big Data

Como funciona? Tudo o que fazemos na internet fica registrado. Nós acessamos sites de acordo com nossos interesses e o histórico de navegação permite identificar nosso perfil de consumo. Nas redes sociais, por exemplo, é possível mapear o interesse dos usuários. Comentários positivos, neutros e negativos sobre marcas e produtos geram conhecimento, sendo possível comparar o desempenho da empresa versus concorrência e extrair conhecimentos e ideias (insights).

Qual é o benefício? Diversos textos foram escritos em todo mundo sobre o assunto. O Big Data está em voga, já que permite extrair diferentes informações sobre o comportamento do consumidor. No site da IBM também existem alguns casos de sucesso com a utilização de Big Data em Marketing, Operações, Finanças e outras áreas. A HSM Management publicou artigo sobre um grande benefício do Big Data: “Gestão dos clientes está sendo transformada pela Internet das Coisas e o Big Data”.

No entanto, vale ressaltar que é importante interpretar dos dados coletados, pois parte do tráfego na internet é feito por robôs, o que pode distorcer a qualidade da informação.

Dimensão 11: Pesquisa de Mercado

Como funciona? Steve Jobs dizia que a Apple não fazia pesquisa de mercado. O motivo é que ele conseguia interpretar o que as pessoas iriam consumir e quanto elas estavam dispostas a pagar. Ele foi um GÊNIO. Se na sua empresa não houver nenhum gênio em comportamento do consumidor, é recomendada a realização de pesquisas. Ações de marketing e vendas são mais efetivas quando se tem acesso às informações relativas a:


Público-alvo: perfil comportamental, principais atributos (drivers) para tomada de decisão de compra;

Marca: conhecimento, consideração, intenção, admiração, recomendação, rejeição, satisfação, lealdade e também clientes detratores, neutros e defensores da marca (Net Promoter Score - NPS);

Campanha: conversão, impacto, percepção, pré-teste de campanha;

Mídia offline e online: investimento versus audiência;

Produto: preferência, teste de inovações;

Preço: atratividade versus rentabilidade;

Participação de Mercado (market share).

Qual é o benefício? Com a pesquisa é possível enxergar diversos fatores que antes não eram percebidos e que causam impacto nos negócios. Pesquisas bem feitas são capazes de surpreender até os empresários mais experientes. Após a apresentação de uma pesquisa várias ideias (insights) surgem. No site automotivebusiness.com.br está publicado o artigo: "Pesquisa aponta desejos dos consumidores".

Conclusão:

O principal benefício da área de inteligência empresarial é a geração do Conhecimento Estratégico. O propósito é aprimorar projetos em parceria com as demais áreas para novas oportunidades de negócios, mercados, produtos e melhorias de processos.

A área de inteligência empresarial está diretamente ligada à elaboração da estratégia nas empresas e tem influência direta na formulação do Planejamento Estratégico.

Quando se constrói o Planejamento Estratégico, em geral, são discutidos diversos pontos, entre eles:

Estratégia Empresarial - Diferenciação, Liderança no Custo Total ou Enfoque

Cinco forças competitivas - Poder de Negociação dos Clientes, Poder de Negociação dos Fornecedores, Ameaça de Entrada de Novos Concorrentes, Rivalidade entre os Concorrentes, Ameaça de Produtos Substitutos

Análise SWOT - Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças

Matriz BCG - Classificação dos produtos: Estrela, Vaca Leiteira, Ponto de Interrogação, Abacaxi

Balanced Scorecard - BSC - metodologia de medição e gestão de desempenho

Plano de Negócios, Fontes de Financiamento, Fusões e Aquisições

Estrutura Econômico-financeira, Valor do Negócio, Investimentos

Para que o Planejamento Estratégico seja feito de forma coerente, é necessário possuir informações internas e externas confiáveis. As dimensões da área de inteligência empresarial conseguem entregar as informações necessárias às tomadas de decisões.

Podemos representar a área de inteligência empresarial com a seguinte fórmula:

Monitoramento dos movimentos dos concorrentes, do mercado nacional/internacional e dos clientes atuais/potenciais

Correlação de indicadores internos e externos

= Podemos representar a área de inteligência empresarial com a seguinte fórmula:

Monitoramento dos movimentos dos concorrentes, do mercado nacional/internacional e dos clientes atuais/potenciais

Correlação de indicadores internos e externos

Conhecimento Estratégico

Empresas que possuem Conhecimento Estratégico têm diferencial competitivo em relação à concorrência. Assim, o objetivo desse artigo foi divulgar uma visão abrangente da área de inteligência empresarial (sem aprofundamento) para auxiliar as empresas na implantação da área. Para que a implantação da área seja bem sucedida é essencial forte parceria com as demais áreas da empresa, pois ninguém vence sozinho. Cabe à alta administração de cada empresa decidir quais dimensões são aplicáveis ao seu modelo de negócio.

A área de inteligência empresarial tem também outras nomenclaturas, como Inteligência de Mercado, de Negócios, Competitiva, Comercial. Todas têm o mesmo benefício: geração do Conhecimento Estratégico.

http://www.administradores.com.br/artigos/negocios/quais-sao-os-beneficios-da-area-de-inteligencia-empresarial/92713/


Daniel Hartz
Daniel Hartz é especialista em Gestão de Negócios (MBA Global Premium) pela Fundação Getulio Vargas (2012). Também é especialista em Marketing (MBA em Marketing) pela Fundação Getulio Vargas (2010) e graduado em Administração de Empresas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2001)

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Business Intelligence: A informação a favor dos negócios








Business Intelligence: a informação a favor dos negócios
Por Lisia Minelli

Como a coleta e a análise de dados esta ajudando empresas e destinos a desenhar ações mais efetivas ao seu público de interesse

O mundo esta vivendo uma transformação digital. E não é de hoje. Há tempos a tecnologia resultou em um aumento significativo da quantidade de dados e informação disponíveis. Computação em nuvem, Internet das Coisas (IoT), mobilidade e mídias sociais sobre um ambiente de Big Data, tudo isso ajudou a gerar um verdadeiro cemitério de dados. Além de soluções tecnológicas implementadas com um volume de dados processados operando em tempo real.

O que isso quer dizer? Que hoje há muitas informações que não interagem entre si. Que não servem de nada e que não dão condições para uma análise do negócio e tomada de decisão. As pessoas tomam suas decisões baseadas em experiências e sentimentos. Saber interpretar esses dados de maneira inteligente, identificar padrões, cenários e tendências, é essencial para se criar estratégias. Mas então, o que falta para usarmos essa enorme massa de informações em favor do negócio?


“Dados são hoje o tesouro dos negócios.”

Para gerente de Comunicação e Pesquisa de Mercado da São Paulo Turismo (SPTuris) e responsável pelo Observatório do Turismo da cidade, Lilian Natal, dados são hoje o tesouro dos negócios. “Eles norteiam as decisões e apontam a direção correta. Há diversos tipos de dados e formas de captá-los. Cada like dado em uma rede social ou um clique em seu site é uma informação importante sobre o seu consumidor e ela diz muito sobre o que ele aprecia e procura”, observa.

Já Eduardo Pugliesi, diretor de Inovação e de Business Intelligence da Sonda, companhia latino-americana de soluções e serviços de tecnologia, afirma que a primeira etapa é entender que ser digital não significa digitalizar processos ou apenas posicionar a empresa no meio online. “Sairá na frente quem souber criar uma nova plataforma digital que esteja alinhada à estratégia de negócio da empresa, extraindo assim valor das informações para transformá-las em ideias que vão impactar na melhoria do negócio”, ressalta.


“As pessoas tomam suas decisões baseadas em experiências e sentimentos. Saber interpretar esses dados de maneira inteligente, identificar padrões, cenários e tendências é essencial para se criar estratégias.”

Tendo vencido esta etapa, é necessário ter um propósito, ou seja, traçar uma estratégia para guiar a captação da informação. E numa terceira etapa, entram as plataformas analíticas, que é o ambiente que viabiliza o acesso ao Big Data e permite a análise, em tempo real, dos dados que vão promover a inteligência de um determinado processo.

O que se pode afirmar então é que uso do Big Data não é a coleta de informações para analisá-las e difundi-las em rede social. O foco é justamente o contrário: cria-se um objetivo, lança-se uma campanha e, a partir daí, é que se inicia a coleta de informações que envolvem o comportamento e a percepção do impacto gerado nos canais, permitindo aproveitar ao máximo os dados para a tomada de decisão. “A massa de dados, quando bem utilizada, permite inúmeras ações, como a retenção e fidelização de clientes por meio de ofertas e produtos de acordo com o perfil, medida que consequentemente muda a forma até mesmo da concorrência atuar”, explica o diretor da Sonda.


“As informações permitem um maior conhecimento a respeito do perfil dos clientes. Desta forma, a empresa pode criar estratégias para aumentar as vendas, diminuir despesas e outros objetivos”

Esta afirmação foi feita por Lilian Natal. Segundo a executiva, os dados estão disponíveis em grandes quantidades e em todos os lugares. “Do momento em que a gente acorda até o momento em que vamos dormir, estamos conectados, mandando informações sobre nossos hábitos e preferências através da internet, smartphones e redes sociais”, lembra.

Entretanto, segundo uma pesquisa da Bain & Company, apenas 4% das empresas analisam os dados a fim de criar soluções. “São estas poucas companhias que figuram entre as mais importantes do mundo. Empresas que realizam coleta e análise de dados são as que mais se destacam. Elas estão três vezes mais propensas a tomar decisões planejadas, realizam decisões cinco vezes mais rapidamente, e são duas vezes mais propensas a ficar no topo da lista entre as melhores do mundo”, afirma Lilian.

Entre as aplicabilidades dos dados, Lilian elenca que é possível conhecer o público real e potencial, definir planejamentos, medir eficiência de ações, identificar e evitar erros, ajustar investimentos, obter maior economia e rentabilidade, inovar, criar produtos, conquistar vantagem competitiva e tomar decisões mais assertivas. Mas como começar?

Primeiro é preciso identificar uma pergunta. Qual o problema que é necessário ser resolvido? A partir disto, os executivos indicam o uso de ferramentas que ajudam a interpretar as informações. “É importante estar alerta às redes sociais, feedbacks, utilizar o Google Analytics e outros programas para coletar os dados. Outra dica é oferecer benefícios, como brindes e descontos para incentivar os clientes a preencher cadastros sobre preferências e necessidades”.

E NO TURISMO?

No caso do Grupo Flytour, o diretor Executivo de Produtos do Grupo, Ubiratan da Motta, contou que vale a pena fazer ou encomendar pesquisas quando se tem a necessidade de entender fatores externos que impactam determinados mercados. “É útil, por exemplo, quando estamos buscando contratos de longa parceria ou estratégicos, com players de mercados específicos. Precisamos então entender a atuação e relevância desses players em seus respectivos mercados para nossas análises de risco e oportunidades”, considera.

A executiva da SPTuris corrobora a importância das pesquisas específicas. “Ainda que seu negócio seja de pequeno porte, é imprescindível pesquisar para entender onde se está e para onde quer ir. Existem vários tipos de pesquisa: quantitativa, qualitativa, focus group, big data ou simplesmente análise de dados primários e secundários, monitoramento de redes sociais, pesquisas de campo, questionários online, entre várias outras. E muitas dessas maneiras podem ser gratuitas”, lembra.

DESTINOS

Quando se trata de destinos, Aruba saiu na frente coletando dados dos cartões de imigração dos passageiros para reunir informações de interesse para traçar estratégias de público. Segundo Carlos Barbosa, diretor do Aruba Tourism Authority no Brasil, o sistema de imigração da ilha é eletrônico, ou seja, os visitantes inserem seus dados online antes mesmo de chegarem ao destino. “Todo esse preenchimento antecipado facilita obter o que precisamos para montar um banco que pode ser usado para criar ações direcionadas no futuro”, explica.

Além disso, o destino cruza as informações dos cartões de imigração com pesquisas feitas com os visitantes onde se coleta dados técnicos (idade, país, motivo viagem, etc) com a percepção que este turista teve da ilha durante sua estadia. “Cruzando essas informações conseguimos construir uma melhor comunicação”, diz Carlos Barbosa.

Outro destino que também esta apostando na inteligência das informações para criar ações efetivas é o Espírito Santo, que recentemente fechou uma parceria com a operadora Vivo. O acordo fornecerá informações de movimentação, permanência e localização dos visitantes e moradores do Estado. A ideia é cruzar as informações de telefonia para identificar de onde são os visitantes, quanto tempo ficam no destino, quais os pontos turísticos e regiões que visitam e onde pernoitam.

Esses dados complementarão a pesquisa presencial que a Secretaria realiza com os visitantes, onde se identifica o perfil dos turistas, o motivo da viagem, se viajam sozinho, com amigos ou família e outras informações. Após o resultado, o órgão utilizará a pesquisa para ativações em mídias sociais e outras plataformas a fim de atingir públicos direcionados. O foco será em países vizinhos, como Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile.

COMO IDENTIFICAR OS DADOS

Todos os tipos de dados são importantes e cada um traz uma contribuição diferente para o negócio. Mas em qualquer processo de pesquisa, o mais importante é entender o que você deseja saber, ou seja, que dúvida busca desvendar ou qual é seu objetivo. É a partir daí que se desenvolverá o planejamento da pesquisa.

No caso específico de perfil de cliente, Lilian diz que há duas formas e rápidas: monitoramento de redes sociais e questionários online para um mailing qualificado. Outra técnica é escolher uma amostra e fazer entrevistas em profundidade. Uma dica para traçar perfil de clientes é fazer perguntas não apenas ligadas ao seu produto, mas também ao tipo de segmentação que você deseja fazer – geográfica, demográfica, psicográfica, cultural e social.

Para o diretor da Flytour, identificar o perfil de cada cliente é fator importante que contribui para maximizar a relação entre eles e do potencial de receita para ambos os lados. “Para isso, coletamos dados de diversas maneiras. Em tempo real para entender a eficiência da usabilidade de nossas ferramentas de front e também para analisarmos taxas de conversão e crosselling de alguns produtos no momento da compra. Também coletamos dados de nossos back offices após a venda para formar uma base que nos ajuda a estudar os volumes de venda por fornecedor e diversos itens que são essências em momentos de negociação”, conta.

BENEFÍCIOS

Segundo Ubiratan da Motta, da Flytour, a redução de despesas se dá pelo aprimoramento dos processos operacionais. Analisar, por exemplo, usabilidade das ferramentas pode indicar melhorias na navegação que eliminam outras tarefas feitas manualmente em processos offline. “A melhoria das vendas se dá também pela usabilidade, pois os clientes passam a achar o conteúdo correto de forma clara, objetiva e rápida e também ajudam nas negociações com fornecedores, para que possamos ter sempre à disposição de nossos clientes os melhores produtos nas melhores condições”, explica.

Veja o exemplo citado por Lilian Natal: Imagine que você está oferecendo um pacote de viagem para Nova York pelo jornal local. No entanto, percebe que o anúncio não está dando resultados. Então resolve fazer uma pesquisa e finalmente descobre que as pessoas que estão buscando viagens para Nova York não leem jornal, mas sim procuram pela internet. Ou seja, houve um desperdício de tempo e recursos. Se a pesquisa tivesse sido desenvolvida antes, a ação teria sido muito mais efetiva. É isso o que a pesquisa a análise de dados faz: torna seu negócio mais eficiente e no caminho certo.

Para Lilian Natal, quem ainda não utiliza a análise de dados para a inteligência de negócios, uma boa dica é começar pelas informações de suas próprias redes sociais, nas quais é possível obter boas informações, como o tipo de post que mais agrada, quais posts mais se converteram em vendas e quais são os clientes mais assíduos dos produtos de sua marca ou empresa. Outra dica é avaliar as métricas do seu site com o Google Analytics, ferramenta gratuita na qual é possível analisar o tráfego de sua página, saber de onde vem seus usuários e o que eles mais procuram.

“Muitos acham que fazer pesquisa é algo caro, demorado e que dá pouco retorno. É exatamente o oposto. O mais importante é começar, ainda que pequeno, e já aplicar as primeiras descobertas em melhorias do seu negócio. Os ótimos resultados farão com que o processo de análise de dados e pesquisas naturalmente se desenvolva e seu negócio cresça cada vez mais”, adverte a executiva da SPTuris.

ESTRATÉGIA



No caso de Aruba, para ações voltadas ao público final (consumidor) as informações são associadas às redes sociais, identificando o perfil do turista e direcionando a comunicação. No caso do Mice, Aruba conta com o mesmo processo de coleta de dados, mas direcionado, buscando o perfil da empresa e o segmento de atuação, e junto com as agências de Relações Públicas, Advertise e Digital desenham o caminho a se seguir.

Em outras palavras, para o Big Data decolar falta a percepção de que a função da tecnologia é fornecer às empresas a extração do real valor da informação para o negócio, estabelecendo uma nova camada de relacionamento com o cliente. A informação por si só não fornece inteligência de negócios. É preciso acessá-la de acordo com um plano previamente estabelecido. Só assim os usuários poderão tirar o máximo de proveito dos dados, alcançando um diferencial competitivo.

http://www.mercadoeeventos.com.br/noticias/servicos/business-intelligence-a-informacao-a-favor-dos-negocios/

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

A importância do Business Intelligence


Business Intelligence – Imprescindível para a tomada de decisões

O termo business intelligence tem sido altamente difundido nos últimos anos, principalmente, por companhias ligadas ao comércio eletrônico. O termo propõe a criação de conhecimento relevante e útil para as empresas através de dados e informações coletadas de diversas fontes, como a rastreabilidade de seus clientes


A maior parte das empresas hoje já coletam e armazenam informações sobre volume de venda, faturamento, categorias mais acessadas, dias mais vendidos, entre diversas outras. Mas será que essas informações estão sendo convertidas em forma de conhecimento para a própria empresa?

Ferramentas

Com o avanço da tecnologia e surgimento dos grandes bancos de dados, os engenheiros de software começaram a desenvolver e inserir no mercado ferramentas de BI mais amigáveis e de fácil utilização, como exemplo o MicroStrategy (ferramenta de data mining).

O profissional de BI deve ter um bom conhecimento de estruturação e analise das informações, uma vez que as ferramentas presentes no mercado funcionam apenas como facilitadoras.

Recentemente, fui orientado por um colega de trabalho a testar a nova ferramenta da Microsoft, o Power BI. A ferramenta é muito simples, intuitiva e pode ser utilizada a partir de uma base de dados em Excel. Vale a pena testar! (Segue o link: https://powerbi.microsoft.com/pt-br/)

Marketplace e a Análise de Dados

Em 2013 a Cnova desembarcou a estratégia e o conceito de marketplace para o e-commerce brasileiro e não demorou muito para que a novidade fosse copiada pelos demais varejistas.

Como já postei anteriormente, a disputa para ver quem cadastra o maior número de lojistas e consequentemente o maior número de produtos através do marketplace é grande. Mas o que poucas pessoas sabem é sobre o investimento em BI que as grandes redes varejistas estão realizando.

A corrida pelo marketplace ganha corpo a medida que as grandes companhias do varejo trabalham orientadas e embasadas por relatórios e indicadores para tomar a melhor decisão para o negócio. Os dados extraídos permitem, por exemplo, saber se há a necessidade de prospectar um novo lojista para determinada linha, se há a oportunidade de realizar a ativação em algum produto e quem sabe realizar ações inteligentes de cross de categorias, ou ainda, se há a necessidade de rever a arrecadação de frete ou formas de pagamento.

Exemplo BI

Uma das maiores redes de varejo dos Estados Unidos ficou conhecida mundialmente após descobrir em seu gigantesco banco de dados, que a venda de fraldas descartáveis estava associada à de cerveja. Após uma análise detalhada a varejista identificou que, em geral, os compradores eram homens, que saíam à noite para comprar fraldas e aproveitavam para levar algumas latas de cerveja para casa. Conclusão: Os produtos foram expostos lado a lado na loja para que a venda de fraldas impulsionasse a venda de cervejas. Eis a relação entre produtos tão distintos e a eficiência da área de Business Intelligence.

A estória¹ apresentada acima demonstra um pouco do universo de BI, mas o que vale destacar é que a função deste profissional vai além da extração dos dados, ou seja, o que de fato importa são os insights gerados através da análise dos dados e o plano de ação a ser executado.

¹Estória: Narrativa de cunho popular e tradicional.

http://www.administradores.com.br/artigos/negocios/business-intelligence-imprescindivel-para-a-tomada-de-decisoes/92986/

domingo, 4 de outubro de 2015

Business Intelligence em tempos de crise


Business Intelligence em tempos de crise
É na crise que temos o impulso para sermos inovadores
Eduardo Pugliesi *

Assim como todos os noticiários, vou iniciar este artigo afirmando que estamos vivendo um momento muito delicado no Brasil. Diferente de outras crises que tivemos, dessa vez o cenário político trará implicações para diversas áreas do nosso país.

Nesse momento não temos se quer a visibilidade de futuro, pois os planos e as ações ainda não estão desenhados, ou seja, temos a ausência da variável tempo, o que traz insegurança para qualquer iniciativa e, mais do que isso, reforça a conduta de que todas as alterações devem ser cuidadosamente geridas.

Como medida para conseguir se manter em equilíbrio, as empresas estão trabalhando arduamente para conviver com a crise, o que implica realizar além do que era praticado no cotidiano: corte de gastos e movimentos para geração de novas receitas, que vão desde a criação de vendas de novos produtos até o desenvolvimento de outras práticas e novos modelos econômicos.

Sim, é na crise que temos o impulso para sermos inovadores. Quando somos obrigados a nos reinventar, damos espaço para criar uma nova linha de raciocínio visando melhorias. Nesta hora, a tecnologia abre um campo imensurável de exploração, tais como usar as soluções analíticas para medições mais precisas e que auxiliam a tomada de decisão, assim como utilizar os sistemas de gestão para medir detalhes que até hoje não eram medidos, pois os dados eram arredondados ou porque as decisões tomadas eram baseadas em feeling.

É o momento para criarmos novos indicadores de medições, trazendo uma massa de dados maior e mais detalhada para uma base de conhecimento analítica, que atrela ferramentas para o consumo dessas informações de forma eficiente.

Essa reação de ações nas empresas podem ocorrer em dois grandes blocos. O primeiro visa atender ações críticas e imediatas para contornar a crise, visando um melhor cenário, que desencadeia no desenvolvimento de ações, produtos e mercados até então inéditos nas operações. O segundo trata da maturação desse cenário, visando a continuidade e colheita dos frutos mesmo após a crise.

Mesmo que este movimento desemboque em investimentos, que nesse momento são difíceis de serem validados, basta optar pelos sistemas vendidos como serviço, que incluem com a utilização do Big Data justamente para convergir com os benefícios supracitados: mais dados, interligação e correlação das informações e novos modelos de medição com precisão. Tudo isso com baixo investimento inicial e retorno em curto prazo por meio de contratos de grande prazo.

A vontade de inovar e de ser diferente frente à paralisação geral do mercado justifica buscar recursos de TI que garantam o ROI e, ao mesmo tempo, dá condição para continuar a colher os frutos desse investimento durante e depois da crise.



(*) Eduardo Pugliesi é diretor de Inovação e de Business Intelligence da Divisão Enterprise Applications da Sonda IT

http://cio.com.br/opiniao/2015/09/28/business-intelligence-em-tempos-de-crise/