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quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Deep Web : Veja os 6 sistemas operacionais para navegação com o TOR


Top 6 Sistemas Operacionais para navegação com o Tor



Caçando pelo melhor sistema operacional para usar o Tor? Sim, isso é legal, nada de errado nisso, você provavelmente é apenas mais uma alma consciente de segurança e privacidade no planeta, como eu.


Ou talvez você tenha aprendido o suficiente sobre a Deep Web para conhecer melhor, e não confiar nos sistemas operacionais no geral enquanto passeia por seus becos escuros?


De qualquer maneira, é uma ótima decisão. O Tor é um ótimo navegador para sua privacidade, mas apenas o Tor não é suficiente para o anonimato completo, portanto, uma VPN e um sistema operacional anônimo e seguro são o que você precisa para finalmente fortalecer sua vida digital e seus hábitos de navegação.

Ao longo deste artigo, compartilharei alguns dos sistemas operacionais mais seguros e mais indicados para o Tor, que ajudarão você a usar a rede e o navegador Tor em seu computador e manter-se a salvo da maioria das ameaças existentes.
6 Melhores Sistemas Operacionais para se usar junto com o Tor

Esses sistemas operacionais são considerados os mais seguros, mais difíceis de se invadir e especificamente adaptados para a rede Tor, assegurando que ninguém está espionando seu sistema, nem podem monitorar ou censurar qualquer uma de suas atividades.

Então, sem mais delongas, aqui está a lista para a qual você veio aqui!
1. Whonix

Site: https://www.whonix.org/

O Whonix é um dos melhores sistemas operacionais para o Tor, principalmente porque é baseado no próprio Tor, e foi criado principalmente com o objetivo de prover a navegação anônima do Tor, então, obviamente, é um sistema perfeito para o Tor.

Todas e quaisquer conexões com à Internet feitas no SO Whonix são forçadas a serem roteadas pela rede Tor, ocultam automaticamente nossos endereços IP, atividades online e mascaram nossas localizações.

Então, qualquer pessoa com um ouvido curioso não vai conseguir ouvir nossas conexões e tráfego.

Ele tem o navegador Tor pré-instalado, junto com o Tor Messenger, servidores de IRC ocultos, clientes de e-mail seguros, como o Thunderbird, e criptografa as conexões de dados com o SCP.

Além de tudo isso, ele se orgulha de proteção contra vazamento de IP / DNS, proteção de impressões digitais, tráfego Tor de permissões, segurança por isolamento, capacidade de se esconder de bisbilhoteiros e estes são apenas uma fração de suas características!



Não devemos instalar o Whonix, o que significa que você também não pode executá-lo diretamente de um CD ou USB, mas precisa instalá-lo em uma máquina virtual para funcionar como um sistema operacional no seu sistema operacional geral.

Mas esse recurso também garante que o Whonix possa ser executado em qualquer sistema operacional, simplesmente instale uma máquina virtual, inicialize com o Whonix e está tudo pronto.

Então sim, sem dúvida é um dos melhores sistemas operacionais para o Tor. Vamos dar uma olhada em algumas de nossas outras opções.
2. Tails

Site: https://tails.boum.org

TAILS significa The Amnesic Incognito Live System. E, francamente, é provavelmente uma das melhores distro do Tor Linux já criada a partir da perspectiva de segurança, anonimato e proteção da privacidade.

Como o nome já pode ter sugerido, é um sistema operacional LIVE, portanto, ele pode ser executado diretamente de um CD ou de uma USB sem qualquer instalação formal e, depois de ser removido do sistema, não há nenhum rastreio de que tails tenha sido executado lá.

Obviamente, ele é pré-instalado com o Tor, junto com o Torbutton para controle de Javascript, também como é natural no Tor, todos os cookies são “cookies de sessão”, o que significa que eles são excluídos quando a sessão é encerrada.

O HTTPS Everywhere também é pré-instalado para forçar a versão HTTPS da maioria dos sites, e toda e qualquer conexão é roteada através da rede Tor por padrão, tornando-a uma das distribuições Linux mais seguras disponíveis para o homem.



Plataformas de mensagens como o Pidgin, o Thunderbird como um cliente de e-mail, o Onionshare como um cliente de compartilhamento de arquivos anônimo e até mesmo uma das melhores carteiras de Bitcoin, a Electrum vem com o pacote.

Quanto à criptografia, ele usa o MAT que anonimiza os metadados, o Keyringer para a criptografia do Git está disponível, o LUKS para a criptografia da unidade USB são apenas alguns dos protocolos de criptografia em vigor.

Tails Linux é claramente um dos melhores sistemas operacionais para o Tor sem muita dúvida.
3. Qubes

Site: https://www.qubes-os.org/

Como o Qubes é um dos melhores sistemas operacionais para o Tor? Eu obviamente explicarei os recursos para você, mas vamos resumir em uma pequena resposta, aqui está o que Edward Snowden disse sobre o Qubes!

E não apenas Snowden, meios de comunicação como WIRED e The Economist também demonstraram sua confiança na Qubes.



Então, em poucas palavras, sim, é seguro, confiável e rico em recursos que é estabelecido. Agora podemos passar a olhar sobre suas características.

O que torna a Qubes especial e sua principal característica é a “compartimentação e isolamento”. A Qubes tem essa capacidade de executar esses aplicativos em máquinas virtuais leves, chamadas AppVMs.

Assim, você pode executar cada programa separadamente ou em grupos (trabalho / residencial / confidencial, etc.) em diferentes máquinas virtuais e seria como se estivessem sendo executados em sistemas independentes e diferentes.

Assim, comprometer qualquer um dos aplicativos não contaminaria nenhum outro programa em seu computador.



Outra habilidade única da Qubes é que ela não está limitada a apenas um sistema operacional. Ou seja, tem TemplateVMs, que em palavras simples são diferentes distros do Linux, ou são capazes ou permitem que você rode o Fedora, ou até mesmo aplicativos do Windows!

Para completar, o Whonix está integrado em um dos TemplateVMs da Qubes, e já vimos como o Whonix é seguro, então essa é uma camada adicional de segurança que a Qubes oferece.

Se você está procurando um pouco de privacidade e pretende usar o Tor, o Qubes deve ser uma das suas principais escolhas.
4. TrueOS

Site: https://www.trueos.org/

Mesmo que o TrueOS não seja uma distribuição do Linux, ele ainda é um dos melhores sistemas operacionais para o Tor, pois é baseado no FreeBSD, que é universalmente conhecido por sua segurança e estabilidade. Também é um sistema operacional comparativamente mais novo que o Tais Linux ou qualquer outro desses.

Alguns de seus recursos de segurança mais proeminentes são a criptografia de disco completo GELI e o PersonaCrypt.

A criptografia de disco completo da GELI garante que seus dados permaneçam seguros e não comprometidos, mesmo no caso de roubo físico, isso porque a criptografia só pode ser quebrada com uma frase secreta e alguns arquivos aleatórios que são seus arquivos-chave.

E é altamente personalizável de acordo com suas próprias necessidades e preferências. Depois, há o PersonaCrypt, que criptografa suas unidades completas e cria versões portáteis delas.

Portanto, essas unidades portáteis criptografadas podem ser movidas entre outros sistemas TrueOS sem qualquer chance de serem interceptadas ou comprometerem o tráfego.



Uma das exclusividades da TrueOS é o recurso “SysAdm”, que nos permite controlar praticamente todos os aspectos de seus sistemas remotamente.

E, finalmente, o sistema de arquivos OpenZFS não deve ser perdido, não afeta o Tor diretamente, mas com certeza é um sistema revolucionário, permitindo que você “Capture instantaneamente” sua captura do sistema a qualquer momento (snapshot).

E então, quando algo dá errado, há um recurso de reversão integrado, voltando o seu sistema exatamente como estava no momento do instantâneo!

Pode não ser tão anônimo ou ultra-seguro quanto o Tails, mas é claramente mais seguro do que a maioria dos sistemas operacionais que geralmente usamos e, como claramente não usamos o Windows na Deep Web, parece uma alternativa valiosa.
5. Subgraph OS

Site: https://subgraph.com/sgos/

Subgraph OS é sem dúvida um dos melhores sistemas operacionais para o Tor, ou em outras palavras, o melhor Linux para Deep Web. Isso porque implementou recursos mais que suficientes para sua segurança, anonimato e privacidade.

O objetivo principal do Subgraph é “reduzir a superfície de ataque e torná-la mais cara” para que atacantes ataquem o seu sistema.

Por exemplo, Ele é fornecido com o GrSecurity que é o melhor aprimoramento de segurança do Kernel Linux disponível.

E, da mesma forma que a Qubes, também acredita em um ambiente “contido e isolado”, de modo que cada aplicativo tem acesso limitado a arquivos host no sistema, garantindo que uma violação de qualquer aplicativo individual não contamine todo o sistema.

“Criptografia obrigatória” é outra de suas medidas de segurança, ao contrário de quase todos os outros sistemas operacionais, o Subgraph tornou obrigatório ter um sistema de arquivos criptografado para usar o Subgraph OS.

Ele reescreveu o cliente de e-mail do zero e vem com um número muito menor de pacotes para reduzir a superfície de ataque dos invasores.



Além dessas medidas gerais de segurança, ele personalizou algumas medidas específicas do Tor, além de torná-lo um dos melhores sistemas operacionais para o Tor.

Toda conexão de saída é forçada através do Tor, ela também usa o “fluxo de isolamento” do Tor para evitar que o mesmo circuito Tor seja usado pelo mesmo aplicativo.

O firewall do seu aplicativo permite que você verifique todas as conexões novas e desconhecidas para garantir que sejam autênticas e não um malware ou um sniffer de dados.

Portanto, é um dos sistemas operacionais mais difíceis de invadir e, portanto, uma das melhores opções para os usuários do Tor, já que ninguém pode escutar suas conexões e atividades na Web.
6. Mofo Linux

Site: https://mofolinux.com/

Apesar de soar vulgar, o Mofo Linux é uma das melhores distribuições Linux para navegação na web, criada com o objetivo público de “derrotar a censura do estado”.

Em sua página inicial, eles são bastante expressivos sobre como o Mofo Linux tem como objetivo interromper todos os tipos de censura e ajudar as pessoas a exercerem seus direitos à privacidade e aos direitos humanos.

Ele vem pré-empacotado com o Tor, OpenVpn, I2P e vários outros navegadores e aplicativos conscientes da privacidade.



Todo e qualquer tipo de histórico, cache ou log de atividades é destruído automaticamente no desligamento. Quanto à instalação, ele pode ser usado como um SO Live, o que significa que você pode inicializá-lo diretamente de um CD ou pendrive.

Então, em suma, é um dos defensores mais agressivos da rede da cebola, do navegador Tor e da Dark Web, além do suporte para VeraCrypt, ZuluCrypt e outros softwares de criptografia. Sim, é seguro.
Conclusão:

Muitos dos sistemas operacionais compartilhados aqui são distros Linux. O Linux sempre foi conhecido por suas medidas de segurança e por ser de código aberto, não é verdade?

Distribuições do Linux são apenas diferentes “distribuições” ou versões do Linux, desenvolvidas por indivíduos ou equipes.

De acordo com o fato de que existem tantas versões diferentes, não é um alvo tão fácil de hackers ou agências quanto o Windows.

Além disso, como é de código aberto, não há backdoors instalados. E, por último, essas distros em alguns casos (embora nem todas) podem ser executadas a partir de um CD ou USB em modo LIVE.

Ou seja, eles não usam o disco rígido do seu computador e preferem viver na RAM, portanto, eles só existem enquanto são usados, uma vez que o sistema é desligado, todo e qualquer rastreio do sistema operacional que está no hardware é apagado.

Algumas distros como TAILS e Mofo Linux foram projetadas com o objetivo principal de permitir que você acesse a Deep Web e a rede Tor anonimamente. Todos esses fatores se juntam para torná-los os melhores sistemas operacionais para o Tor.

Mesmo os sistemas operacionais que não são versões “Live”, e não são “Linux distros”, não podem ser invadidos facilmente, eles suportam e são feitos para o Tor, respeitam o seu anonimato e privacidade e é isso que faz do melhor sistema operacional para o Tor.

Um sistema seguro significa segurança para o navegador Tor, toda a rede e suas atividades e é exatamente isso que esses sistemas operacionais oferecem.

Deixe-me saber o que você acha desses sistemas operacionais, e sua opinião sobre o seu sistema operacional de suporte Tor favorito, em nossa página no facebook.

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fonte: https://blog.deepwebbrasil.com/top-6-so-navegacao-tor/

Postado por Raizes Culturais às 15:46 Nenhum comentário:
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quinta-feira, 25 de maio de 2017

Deep Web... como acessar?



Embora a internet já nos pareça insondável, talvez você não saiba que há uma gaveta oculta, uma área não descoberta, que alguns dizem é até 500 vezes superior à rede das redes. 

Estamos falando da "deep web" ou internet profunda, essa zona fora de controle à qual apenas uma pequena parte dos usuários tem acesso, porque fica fora do uso habitual da rede. 

Trata-se de uma parte da internet cuja característica principal é que não existe um rastreamento pelos motores de busca (o Google e outras ferramentas de pesquisa mal cobrem uma mínima dela) e, claro, o anonimato é rei: o usuário é um número a mais, a não ser que queira se identificar voluntariamente.

A ‘deep web’ tem sido vinculada com atividades criminosas e conteúdo proibido, embora, na verdade, não seja assim

A "deep web" tem sido vinculada com atividades criminosas e conteúdo proibido, embora, na verdade, não tenha de ser assim: as páginas existentes nesta web simplesmente desviam os bots rastreadores dos principais motores de busca e ficam em uma espécie de limbo que só é acessível usando outros motores de busca. 

Mas é verdade que este anonimato e falta de controle têm alimentado a internet profunda de todos os tipos de conteúdo ilegal e criminoso, que são os que lhe deram verdadeira fama. É um lugar oculto e imenso, mas como é possível acessá-lo?

A primeira coisa a fazer é instalar um navegador compatível: o principal conteúdo desta rede anônima está sob o domínio “.onion”, que não pode ser acessado pelos navegadores convencionais. 

Apesar de existirem várias maneiras de acessar a internet profunda, a mais simples é instalar o navegador TOR, sigla em inglês para The Onion Router, que se refere ao tipo de rede nas conhecidas “redes de cebola”, que protegem o anonimato do usuário. 

Com o TOR instalado no computador, não é preciso fazer mais nada e já se tem acesso a esse mundo paralelo.


Uma vez dentro dessa rede fora de controle, o próximo desafio é saber como encontrar o conteúdo e, por isso, a melhor solução é acessar o The Hidden Wiki, um diretório que mostra uma infinidade de links organizados por categorias.

 Em questão de minutos, o usuário estará mergulhando em vários sites fora de controle, uma rede paralela, sem filtros, na qual se pode encontrar absolutamente tudo.

O passeio pela "deep web", além de ser obscuro em todos os sentidos do termo, é lento, lentíssimo até a exasperação, e é assim por uma razão. 

A conexão é anônima e, para que isso seja assim, a informação viaja de nó em nó aleatoriamente nos mencionados nós de cebola.

http://brasil.elpais.com/brasil/2017/01/03/tecnologia/1483438810_913917.html
Postado por Raizes Culturais às 06:53 Nenhum comentário:
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terça-feira, 21 de março de 2017

Como funciona a Deep Web



Deep web: o que é e como funciona - G1 Explica

Se você tem alguma dúvida sobre segurança da informação (antivírus, invasões, cibercrime, roubo de dados etc.) vá até o fim da reportagem e utilize o espaço de comentários ou envie um e-mail para g1seguranca@globomail.com. A coluna responde perguntas deixadas por leitores no pacotão, às quintas-feiras.



"G1 Explica" é uma série da coluna Segurança Digital que explica conceito, ataques e tecnologias em uma forma de perguntas e respostas. O assunto de hoje é a "deep web", ou "web profunda" . Confira:





1. O que é a deep web?
O termo "deep web" ("web profunda") tornou-se um termo geral para se referir a todo um conjunto de sites e servidores de internet. Explicar o termo, portanto, não é mais tão simples.



Originalmente, a "deep web" eram os sites "invisíveis" - páginas que, por qualquer motivo, não apareciam em mecanismos de busca, especialmente no Google. Eram páginas que, para serem encontradas, necessitavam do uso de diversos mecanismos de busca em conjunto, além de ferramentas adicionais e ferramentas de pesquisa individuais de cada site.


O termo se popularizou com uma definição mais compacta para se referir aos sites que necessitam do uso de programas específicos para serem acessados. O mais popular entre eles é o Tor, mas existem outros softwares, como Freenet e I2P. O emprego do termo "deep web" é incorreto neste contexto - o termo certo seria "dark web" (web escura).


Porém, como esses sites precisavam de ferramentas especiais para serem acessados, eles não apareciam em mecanismos de pesquisa e, assim, as duas definições não eram incompatíveis. No entanto, com o passar do tempo, parte desses sites de acesso exclusivo via Tor foi disponibilizada (via "pontes de acesso") na web normal - que não necessita de software especial. Com isso, o conteúdo que antes era dessa web "inacessível" foi parar até mesmo no Google. Acessar esse conteúdo, portanto, é tão fácil quanto acessar qualquer outro site.

É muito difícil saber com certeza se o termo deep web está sendo usado para se referir a um canal de acesso via Tor ou a páginas e serviços de acesso realmente limitado e restrito, independentemente da tecnologia.



2. Qual a diferença entre deep web e dark web?
Com base nas definições mais puras, um site da "deep web" não tem seu conteúdo disponibilizado em mecanismos de pesquisa e, portanto, não pode ser encontrado, exceto caso por quem conhece o endereço do site.



A "dark web" consiste dos sites que existem primariamente em redes anônimas e que necessitam de programas especiais. O Facebook, por exemplo, tem uma versão de seu serviço na dark web. No entanto, o meio de acesso principal não é este. Mas há outros sites que existem exclusivamente nessa dark web e não podem ser acessados sem o uso de programas como Tor, I2P e Freenet.



3. Que tipo de conteúdo há na deep web?
Como a "deep web" se refere a qualquer conteúdo fora dos mecanismos de pesquisa, a definição é bastante ampla. Existe muito conteúdo legítimo disponível na web e que nem sempre pode ser encontrado com uma pesquisa em mecanismos de pesquisa geral. Um exemplo disso são decisões judiciais, que muitas vezes exigem pesquisas diretas nos tribunais onde tramitaram.



A deep web também pode consistir de sites com conteúdo pessoal, páginas cujos donos decidiram não incluir em mecanismos de pesquisa por qualquer motivo, páginas que nunca receberam links de outros sites (porque só foram compartilhadas por e-mail, por exemplo) e também espaços para a troca de conteúdo ilícito, como pirataria. Como esses sites muitas vezes fornecem arquivos grandes para download, não é sempre prático manter esse conteúdo na "dark web", onde as velocidades costumam ser menores.



4. Que tipo de conteúdo há na dark web?
A dark web, por fornecer mecanismos de anonimato, é atraente para ativistas políticos, hacktivistas e criminosos virtuais, além pessoas que buscam compartilhar conteúdo que foi censurado. Com ações policiais que derrubaram sites de abuso sexual infantil da web comum, parte desse conteúdo também passou a ser disponibilizado pela dark web.



A dark web também é notória por oferecer lojas virtuais de mercadorias proibidas ou de difícil acesso, inclusive drogas (lícitas e ilícitas) e armas.



Como a dark web também serve como meio anônimo para acesso à web comum, ela pode ser usada para burlar bloqueios de rede (como os que existem na China). Em outras palavras, nem todo mundo que utiliza a tecnologia da dark web pode estar interessado nos conteúdos que estão presentes nela, mas sim no anonimato que ela fornece para o acesso a qualquer conteúdo.



5. Por que alguns sites ficam fora dos mecanismos de busca?
Os mecanismos de busca, como o Google, precisam, em primeiro lugar, encontrar um site. Isso normalmente ocorre com links. Quando uma página que o Google já conhece coloca um "link" para outra página, o Google segue esse link e passa a incluir essa página em sua busca (um processo chamado de "indexação").



Porém, mesmo que haja um link para a página, ela pode ainda bloquear mecanismos de pesquisa. Isso pode ser feito via rede (bloqueando os endereços IP da rede dos mecanismos de pesquisa) ou utilizando mecanismos oferecidos pelos próprios sites de busca que permitem a um site indicar qual conteúdo pode ser indexado. Um site pode facilmente determinar que a indexação de suas páginas é proibida e, nesse caso, elas não aparecerão nos mecanismos de busca mais comuns, que honram essas configurações.



Alguns conteúdos exigem buscas específicas. As decisões Judiciais, por exemplo, só podem ser encontradas por alguém que sabe um número de processo ou a OAB de um advogado para pesquisar nos sites dos tribunais. Os mecanismos de pesquisa não têm essas informações e não "sabem" preencher o formulário. Por isso, esse conteúdo tende a ficar fora do alcance.



Certos conteúdos também não podem ser indexados por causa do formato em que estão armazenados. Um conteúdo pode existir na web como um arquivo de áudio ou vídeo que o mecanismo de busca não consegue transcrever para texto. Nesse caso, o conteúdo também não vai ser encontrado, a não ser que você saiba especificamente o nome do arquivo ou título do arquivo multimídia.



6. Por que a dark web necessita de programas específicos?
A internet só funciona graças a um grande acordo que existe na web: todos os sites, navegadores e sistemas operacionais "falam" um conjunto de "línguas" em comum. Esses são os "protocolos de rede".



A dark web estabelece uma camada de protocolo nova que o computador não conhece. E, com isso, automaticamente esses sites se tornam incomunicáveis.



O objetivo dessa camada adicional é normalmente a garantia do anonimato dos usuários. Os detalhes técnicos variam em cada protocolo, mas a maioria estabelece uma série de intermediários em cada conexão. Certos participantes da rede (que podem ser todos ou só alguns) tornam-se intermediários das conexões dos demais usuários e, com isso, qualquer visita ou acesso fica em nome desses usuários e não em nome do verdadeiro internauta.



7. É possível quebrar o anonimato da dark web?
De modo geral, sim. Mas as técnicas exigem certos recursos tecnológicos avançados e, às vezes, um pouco de sorte.



Uma delas é conseguir controlar um grande número de sistemas intermediários na rede. Se o número de sistemas controlados for grande o bastante, o interessado pode conseguir fazer alguma ligação entre o usuário e o conteúdo acessado. Essa é uma operação de médio prazo, já que é preciso monitorar os acessos por um bom tempo até que as ligações possam ser feitas sem depender da sorte.



Outro meio, que vem sendo bastante empregado pelo FBI, é a instalação de programas espiões. A autoridade policial faz isso após conseguir uma autorização da justiça para tomar o controle de um serviço disponibilizado na rede anônima (a identificação deste depende de outros métodos, como o mencionado acima ou então cooperação de um delator). Uma vez podendo controlar o site, um código especial é colocado na página para tentar contaminar os usuários com vírus e relatar as informações ao FBI. Isso, no entanto, depende de vulnerabilidades no software do possível investigado, o que nem sempre pode ser fácil de explorar.



Essa técnica foi utilizada em um site com imagens de pornografia infantil, por exemplo. O FBI foi criticado por temporariamente ter mantido o site no ar em vez de retirá-lo imediatamente, mas a Justiça americana entendeu que a medida foi necessária para colher mais informações sobre os visitantes da página.

Fonte G1

Postado por Raizes Culturais às 10:03 Nenhum comentário:
Marcadores: dark web, Deep Web, internet escura, Internet profunda, TOR

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Você conhece a Deep Web?


Um lugar conhecido por poucos. Um espaço onde transitam grupos como Anonymous e onde informações como as do Wikileaks são coletadas. A internet como todos conhecem é apenas parte do espaço virtual. Para além dela existe uma outra, conhecida como deep web – ou web profunda. Numa reportagem especial, nossa equipe mergulhou nesse universo paralelo, em que não há regras, e os perigos são muitos.

O primeiro choque com a deep web é em relação ao tamanho deste lado escuro da internet. Um iceberg, um destes blocos gigantes de gelo que vagam pelo oceano. A parte visível, que fica acima da superfície da água seria o correspondente à nossa internet cotidiana, como conhecemos hoje. Os outros 90% submersos escondidos ali representariam a proporção desta parte da rede.

Para quem nunca ouviu falar no assunto, a principal diferença entre a nossa internet e a deep web é que neste lado escondido da rede, nada é indexado. Nada é rastreado. Todo o tráfego do dados é criptografado, o que significa privacidade e anonimato, o que pode ser bom e ruim ao mesmo tempo.

"A deep web se diferencia muito da rede normal, porque é tudo criptografado", conta Jaime Orts Y Lugo, especialista em segurança. Ele explica que diferentemente da web tradicional, neste pedaço da web, a informação passa por vários pontos, recebendo uma criptografia em cada um.

Na web normal, tudo que fazemos para chegar a qualquer destino pode ser facilmente rastreado.Ou seja, privacidade é ilusão. Mais que isso: mecanismos inteligentes identificam o que fazemos o tempo todo na rede para, logo em seguida, oferecer publicidade dirigida e relacionada ao nosso gosto pessoal. E muita gente acaba usando a deep web simplesmente por não estar de acordo com esta regra imposta por gigantes como o Google.

"Eu diria que há o respeito à privacidade na parte de baixo [da internet]. Eu não quero ter uma máquina cheia de cookies. Eu não quero que as pessoas saibam o que eu estou comprando, o que eu gostaria de comprar, nem quero ser bombardeado com oportunidades de compra só por estar fazendo uma busca", diz Lugo.

O especialista em segurança diz que a "parte de baixo do iceberg" existe por deficiências da parte superior e seu uso comercial excessivo.

Por outro lado, uma infinidade de criminosos viu na deep web um prato cheio para praticar atos ilícitos e garantir o anonimato. Nossos repórteres mergulharam de cabeça no assunto e descobriram coisas bizarras e assustadoras.

"Tem coisas estranhíssimas que você nem imagina que haja quem possa gostar daquilo, principalmente relacionado a sexo", conta o repórter Leonardo Pereira. "Tudo que você imaginar de parafilia tem lá dentro", ele afirma, contando ainda que é comum se deparar com imagens que "você não gostaria de ver" ao navegar.

E realmente tem de tudo neste lado obscuro da internet: sites de pedofilia, turismo sexual e até assassinos de aluguel estampam a principal página de buscas da deep web.

Lugo, no entanto, vê uma paranoia muito grande sobre a deep web. "Eles preferem sempre falar da coisa ruim, que só tem droga, contrabando, armas... mas tem para quem? Para quem está procurando!", afirma. Ele admite que existe a possibilidade de acabar acessando sem querer uma destas páginas por inexperiência, mas lembra que "quem entra lá para procurar drogas, também pode ir à esquina para comprá-las."

O assunto é delicado e divide opiniões. As autoridades, claro, sabem que a deep web existe, mas como já foi dito não há nada que se possa fazer. É praticamente impossível identificar um acesso neste lado misterioso da rede.

Entretanto, quem a usa para o bem não é conivente com toda esta ilegalidade. O grupo de hackers Anonymous, por exemplo, conseguiu detectar uma rede de pedofilia com 1,6 mil usuários na deep web e, depois de atacar o site virtualmente, entregou todos os envolvidos para a polícia.

"É uma forma de você combater o ponto e não acabar com tudo", afirma Jaime Orts Y Lugo. "Imagina se, em uma sala, uma pessoa está se comportando mal. Por causa dele, o resto vai sofrer as consequências?", exemplifica o especialista em segurança. Ele defende que sejam punidos apenas as pessoas causadoras de problemas.

Para acessar a deep web, é preciso ter um navegador específico chamado Tor (The Onion Router). Seu símbolo, uma cebola, remete às várias camadas que são necessárias atravessar para se chegar a um conteúdo específico.

"A primeira impressão é que se trata de um lugar bem difícil de se mexer e que você precisa de muita paciência, seja lá qual for o motivo pelo qual você está usando a deep web", conta o repórter Leonardo Pereira. "Nós conversamos com algumas pessoas e elas disseram que os vírus surgem lá. Eles são testados lá dentro. Então é preciso tomar cuidado, com um computador bem preparado e não pode sair clicando em tudo", ele explica.

Ou seja: para experimentar, tome esta série de medidas de proteção:

Tenha um bom antivírus instalado;
Use um firewall;
Patches de segurança de seu sistema operacional devem estar atualizados;
Prefira um modem 3G à rede de internet local para evitar uma invasão;
Procure algo interessante.

"Trazer alguma coisa do mundo de lá para o mundo de 'cá' é perigoso, sem dúvidas. Pode acontecer o mesmo que comigo: eu baixei um monte de coisas relacionadas à minha pesquisa e não era nada daquilo", diz Lugo, recomendando cautela.

A mesma postura é recomendada por Leonardo Pereira. "Na dúvida, não clique. É a principal dica", recomenda o repórter.

Nosso time do Olhar Digital está preparando uma série de reportagens sobre a deep web. Caso você tenha ficado curioso, confira os links logo abaixo do vídeo para ficar por dentro de tudo que cobrimos sobre este lado sombrio e misterioso da internet.

Deixamos disponível também o link para baixar o Tor. Usando este navegador, mesmo na internet normal, você tem a garantia de que nenhum site nunca mais irá coletar suas informações enquanto navega.

Se você quiser navegar pelas águas não mapeadas da deep web, siga nossos conselhos de segurança e, nunca é demais lembrar: tome cuidado e boa sorte. E se você já se aventurou neste mundo, compartilhe suas experiências nos comentários com outros leitores.

Links:

O que é a deep web

Baixar o Tor

O lado positivo da deep web

O lado bizarro da deep web

http://olhardigital.uol.com.br/fique_seguro/video/voce-sabe-o-que-e-a-deep-web/32156
Postado por Raizes Culturais às 10:07 Nenhum comentário:
Marcadores: Deep Web, hackers, Olhar Digirtal, TOR, Wikileaks

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Deep web: O que acontece no submundo da web


Tráfico e mortes: saiba o que se esconde no submundo da web


A internet profunda, ou "Deep Web", esse enorme espaço virtual que foge ao controle da Justiça convencional e que seria 400 vezes maior do que a internet comum, esconde um mundo de atividades criminosas que buscam anonimato, enquanto aumentam as práticas ilícitas.



Foto: Getty Images

Recentemente divulgado, um relatório da Trend Micro intitulado "Abaixo da superfície: exploração da Deep Web" revelou que mais de 25% das buscas entre a Deep Web e a internet padrão são com fins de exploração infantil e pornografia. Outro dado destacado pela empresa especializada em segurança online é o preço de US$ 180 mil cobrado por esses sites secretos para assassinar uma personalidade ou político.

Para obter informações desta rede inacessível através de navegadores comuns, como o Chrome e o Internet Explorer, e aparentemente invencível, a equipe da Trend Micro utilizou um sistema chamado Analisador de Deep Web (DeWa). O DeWa reúne as URLs ligadas à "Dark Web", a pior parte da "Deep Web", incluindo Tor, sites I2P (Invisible Internet Project) e os identificadores de recursos Freenet, para extrair dados relevantes vinculados a eles, como conteúdo, links e endereço de e-mail.

Este sistema também alerta sobre o aumento do tráfego de informação e seus sites, algo especialmente útil quando se buscam novas famílias de "malware", os softwares maliciosos destinados a invadir um sistema de computador alheio de forma ilícita.

As drogas brandas, especialmente maconha, são a mercadoria mais vendida neste ambiente online, que não é encontrado em buscadores tradicionais como o Google. Ao todo, 32% dos itens comercializados nas 15 maiores lojas da "Deep Web" têm relação com a cannabis. Em seguida aparecem produtos como Ritalina e Xanax, mais conhecido como Alprazolam, medicamentos pesados e de venda controlada.

Nessa terra sem lei, também é possível conseguir a cidadania americana. Sites especializados criam passaportes por US$ 5.900 (R$ 20.390).

A compra de uma conta roubada do eBay ou do PayPal em uma das lojas do submundo online custa US$ 110 (R$ 380). De acordo com o relatório, 34% das URLs ou endereços eletrônicos que contêm "malware" na internet do usuário comum têm conexões com a internet profunda.

O analista David Sancho, pesquisador da Trend Micro na área de "Deep Web", explicou à Agência Efe que, quando se fala do volume de atividade nesse mundo cada vez "mais popular" não se leva em conta apenas o total de páginas hospedadas, mas também o número de serviços ocultos. Eles podem disseminar informação ilegal ou proibida, como terrorismo e atividades da máfia, além de comercializar armas.

Segundo o relatório, a maior parte disparada das URLs da "Deep Web" está em russo (41.40%) e inglês (40.74%). Em português, há 1,25% das páginas.

http://tecnologia.terra.com.br/internet/deep-web-o-que-se-esconde-no-submundo-da-internet,fa6ac985d0899986cc4b0bc6f03de2b492quRCRD.html
http://www.raizesculturais.com.br/
Postado por Raizes Culturais às 17:48 Nenhum comentário:
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domingo, 20 de julho de 2014

Dark web ou deep web, a internet do crime


Milhares de pedófilos estão usando a chamada dark web


Mônica Vasconcelos
Da BBC Brasil em Londres 19/07/201410h28


Milhares de pedófilos estão usando a chamada dark web, (internet obscura, em tradução livre), para compartilhar, vender ou acessar imagens de crianças sofrendo abuso sexual.

Um britânico que disse ter fundado um desses sites disse à BBC disse que a página chegava a receber 500 visitantes por segundo. Segundo ele, o site não está mais em funcionamento.

Em um relatório publicado neste ano, a agência de combate ao crime na Grã-Bretanha disse que criminosos estão cada vez mais se voltando para uma internet paralela, por onde passeiam de forma anônima, para realizar atividades ilegais.

No Brasil, "boa parte dos usuários são curiosos, que querem apenas ver o que existe por lá e ter a sensação de adentrar em um território da internet que é cercado de tabus", disse o advogado e especialista em tecnologia e mídia Ronaldo Lemos, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS Rio).

Segundo ele, uma fração menor de pessoas entra na dark web para praticar atividades ilícitas. E outra fração entra em busca de privacidade, de um canal de comunicação que não seja monitorado ou espionado.

A BBC Brasil conversou com a especialista em ciência da computação Juliana Freire, que faz pesquisas na New York University, nos Estados Unidos. Freire está prestes a embarcar em um projeto que deve revolucionar a forma como fazemos buscas na internet, permitindo, inclusive, que identifiquemos conteúdos "escondidos" na dark web.

E apesar de sua determinação em conhecer e explorar os conteúdos desse universo, a pesquisadora não parece preocupada com a existência dessa internet obscura, fora do alcance das ferramentas de busca comuns - e das autoridades.

"Tráfico humano, pedofilia, esssas coisas aconteciam. Pelo menos, se está lá e você conseguer ver o conteúdo, você sabe que elas existem".

Definições

A internet visível, ou surface web (internet de superfície), é uma porção minúscula de uma rede gigantesca, a deep web (internet profunda).

Esta rede profunda engloba bancos de dados cujo conteúdo não está indexado e, portanto, não pode ser acessado por ferramentas de busca como o Google.

Imagine, por exemplo, um site de venda de carros de segunda mão. As informaçõe sobre os carros estão dentro do site, mas você só tem acesso a elas quando preenche um formulário dizendo que tipo de carro está procurando.

Também podemos incluir nessa web profunda uma porção da rede onde a publicação de conteúdos, bem como o acesso a eles, acontecem de forma anônima. Essa é a dark web, ou internet obscura.

A dark web inclui, por exemplo, redes como a Tor Network. Para acessá-la, é preciso baixar o Tor Browser. Esse browser torna o endereço do seu computador indetectável. Você viaja anônimo, tanto pela internet regular, quanto pela rede obscura.

Da mesma maneira, se você cria um site na rede Tor, o conteúdo fica lá, mas sua identidade não.

"Se crio um site, tenho de registrá-lo e criar um IP address, para identificação", explica Freire. "Mas essas redes criam o IP address e ninguém sabe quem eu sou".

Essa internet anônima é usada para todo tipo de atividade ilícita, como tráfico humano e tráfico de drogas.

Um desses sites, o supermercado de drogas Silk Road, operou na rede Tor durante mais de dois anos, até ser fechado pelo FBI.

Mas a Tor também é usada por militantes, intelectuais e outros grupos que precisam permanecer anônimos para sua segurança pessoal.

"No Irã, muitos usam o Tor para acessar a internet, na China acontece a mesma coisa", diz Freire.

Passeio Perigoso?

A ideia de uma internet secreta, co-existindo com a rede visível, porém inacessível à maioria de nós, habitada por criminosos e libertários, parece coisa de ficção científica.

Freire diz que já passeou por essas terras sem lei. Não são necessariamente perigosas, ela diz. Mas contêm armadilhas onde podem cair os viajantes menos experientes.

"Já brinquei com isso. Fiz buscas sobre tráfico humano e não vi nada. Então, digitei a palavra cocaína e encontrei vários sites de venda. Mas meus colegas me disseram que muitos desses sites são armadilhas que o governo coloca lá para pegar você".

"Você não sabe se é o governo ou se é um traficante de verdade - mas também é assim no mundo aqui fora".

A rede profunda inclui, ainda, sites desativados que permanecem ali no cyber space, como prédios fantasma.

Alguns especialistas tentaram, ao longo dos anos, quantificar, dar uma dimensão à internet profunda. Os resultados variam. Em 2001, o acadêmico americano Michael K. Bergman publicou um estudo sugerindo que a deep web seria entre 400 e 550 vezes maior do que a internet de superfície e que ferramentas de busca convencionais estariam alcançando apenas 0,03% do total de páginas disponíveis.

Juliana Freire, no entanto, desconfia desses números.

"Alguns tentaram medir isso mas não consigo acreditar nos estudos mais recentes que li, não estou convencida. É difícil de estimar o tamanho dessas coisas".

Desafio

E à medida que a internet cresce e se transforma, cresce também o desejo de cientistas como Juliana Freire de explorá-la. Governos e autoridades, por outro lado, querem domá-la.

Até 2011, Freire trabalhava para a University of Utah, em Salt Lake City. Lá, esteve envolvida no projeto Deep Peep, que se propunha a desenvolver ferramentas para indexar conteúdos armazenados em bancos de dados na internet profunda.

"A ideia era indexar todos esses bancos de dados para que a gente pudesse ter acesso a eles usando um sistema de buscas comum, como o Google", explica Freire.

"Uma ferramenta como essa é útil se você está interessado em conteúdos que vêm de fontes diferentes". Ou seja, ela evita que você tenha de entrar individualmente em cada um dos sites para procurar a informação. Fazendo um paralelo, Freire cita sites de comparação de preços, que coletam dados de várias empresas oferecendo um determinado serviço.

"Encontrar os dados necessarios para sites de comparação, e para engenhos de busca verticais, requer um processo laborioso. O nosso objetivo era criar uma forma mais rápida, eficiente e automática de descobrir os sites que serviam de ponto de entrada para bancos de dados online".

Parte da tecnologia usada no Deep Peep foi patenteada pela University of Utah.

Agora, Freire se prepara para um novo desafio. Ela é uma entre vários pesquisadores participando do programa Memex, a convite da Defense Advanced Research Project Agency (Darpa), uma agência do Exército americano.

O programa tenta criar um novo paradigma para buscas na internet, explica Freire.

"Grupos foram convidados a criar um conjunto de ferramentas que nos permitam fazer buscas sob medida. Por exemplo, estou interessada em um tópico e quero fazer uma busca na internet profunda. Então eu digo, me faz uma busca e um relatório desse assunto de acordo com as especificações tais".

"Ou seja, são ferramentas que te ajudam a encontrar e analisar dados".

Um detalhe importante é que essa nova tecnologia permitirá fazer buscas na internet obscura.

"O Memex quer ver tudo, quer ver dark web, surface web, deep web", ressalta Freire.

"Essa tecnologia tem várias aplicações. Vai ajudar governos a encontrarem conteúdo que está escondido na darkweb - por exemplo, conteúdo sobre tráfico humano. Vai ser útil no jornalismo investigativo, em pesquisas... para a ciência, (uma tecnologia como essa) é fundamental".

Efeito Snowden

Em maio de 2013, um consultor da NSA (Agência Nacional de Segurança) dos EUA, Edward Snowden, denunciou para o mundo que o governo dos Estados Unidos vinha secretamente arquivando comunicações entre cidadãos feitas pela internet e por telefone.

Na época, Snowden disse ao jornal britânico The Guardian que não queria viver em um mundo onde "tudo o que faço e digo é gravado".

Nesse contexto, a ideia de que exista uma rede de comunicações fora do alcance de governos e autoridades ganha um atrativo a mais.

"Apesar do intenso preconceitos contra as chamadas deep web e dark web, são canais que surgiram a partir de ferramentas de proteção à privacidade", diz Ronaldo Lemos.

"Em vários países do mundo, especialmente em regimes autoritários onde a rede é controlada e as liberdades civis ameaçadas, esse tipo de de espaço torna-se um dos poucos ambientes públicos onde é possível manifestar pensamentos e opiniões de forma livre". E acrescenta:

"Não existe apenas uma dark net, mas várias. Elas são uma consequência da estrutura aberta da internet. Apesar dos inúmeros problemas que elas trazem e que devem ser combatidos, eles são o preço a se pagar por manter a internet com uma arquitetura descentralizada, livre e aberta".

Para Juliana Freire, no entanto, a vigilância pelo governo é um problema menor.

"O Google, o Facebook, o Twitter, sabem de tudo. O Google está lendo todos os seus e-mails.

"Você querer privacidade e ficar preocupada com o governo é bobagem porque tem companhias que provavelmente saberm mais do que o governo".

"Imagina o tanto que você revela ao Google só ao fazer buscas?", questiona.

"A privacidade é impossível. O que é necessário é regulamentação, porque agora não dá mais para parar esse processo".

fonte: http://tecnologia.uol.com.br/noticias/bbc/2014/07/19/internet-oculta-os-segredos-de-um-universo-paralelo.htm

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sexta-feira, 8 de março de 2013

O outro lado da Deep Web


Nem tudo são trevas: o lado bom da Deep Web


 A infame versão underground da internet tem mais a oferecer do que uma janela para os demônios da Humanidade. Saiba como ela protagonizou os mais recentes (e positivos) acontecimentos históricos do século XXI por João Mello


Anonimato para os indivíduos, transparência para os poderosos: Assange e a Deep Web dividem o mesmo lema //Crédito: Wikipedia

Há quem diga que o Google só consegue rastrear 1% do que existe online. Os outros 99% estariam na chamada Deep Web. Você já deve ter ouvido falar dela – e, se ouviu, provavelmente ficou em choque. Canibalismo e necrofilia são duas palavras comumente associadas à essa espécie de internet paralela, e servem como base para se ter uma noção do tipo de perversidade que se passa por lá.

Mas será que a internet paralela não é essa que a gente usa e a internet real é a própria Deep Web? Essa hipótese parece imunda se você pensar nas coisas macabras que existem por lá, mas talvez seja preciso ir além e ver que tem muita coisa boa sendo feita ali embaixo. Você vai esbarrar em um tráfico de drogas aqui, um assassinato ali, a conexão é bem mais lenta, mas sabendo navegar (ou seja: sabendo onde não clicar) a experiência pode ser muito mais enriquecedora do que estamos acostumados.

Há sempre um lado que pesa e outro lado que flutua

Na Deep Web tudo funciona na base de fóruns, exatamente pra dificultar o rastreamento por parte das autoridades. Você não vai encontrar sites bonitinhos. Você não vai encontrar muita coisa bonitinha (fotos de gatinhos trapalhões ficam restritas à web nossa de cada dia) tanto na estética como no conteúdo: apenas listas com um layout de internet do século XX, remetendo a tópicos desconcertantes, assombrosos ou repreensíveis – pegue o adjetivo mais sombrio que lhe ocorrer, coloque-o em cima do ombro e se prepare pra ser apresentado: “Oi, eu sou a Humanidade e quando não tem ninguém olhando é isso que eu faço”.

Claro que a parte bizarra da Deep Web é alimentada e consumida por gente de alma depravada e de vontades condenáveis em quase todas as religiões e épocas. Mas será, será mesmo, que é só isso?
Na internet normal você tem segurança, mas não tem anonimato. Na Deep Web você não tem segurança, mas tem anonimato. E esse exagero de privacidade da Deep Web pode ser usado para fins bem menos espúrios do que pedofilia, estupro e encomenda de assassinatos. Quer dizer, se a sociedade não está pronta para ver criancinhas mortas (é bom que não esteja), talvez ela também não esteja preparada para coisas como nível zero de censura ou documentos governamentais abertos ao público (ia ser bom se ela estivesse).

Muitos correspondentes internacionais se comunicam com suas respectivas redações por meio da Deep Web. Países como Irã, Coreia do Norte e China costumam controlar a internet convencional, sobretudo se quem estiver navegando nela for um jornalista estrangeiro. Nesse caso, usar a Deep Web é um jeito de burlar a censura. Especialistas acreditam que a própria Primavera Árabe não teria existido sem a Deep Web.

O Wikileaks e o Anonymous dificilmente teriam incomodado tanta gente poderosa se não fosse pela versão underground da internet. É lá que as quebras de sigilo começam – e foi graças a esse espaço que os próprios Anonymous divulgaram a identidade de quase 200 pedófilos no final de 2011.

Existem até agências que se dedicam exclusivamente a monitorar a Deep Web. Assim como assessorias de imprensa têm que rastrear a internet em busca de menções online de seus clientes, a Bright Planet vasculha a DW para encontrar virtualmente qualquer coisa. Em seu site, eles dividem suas ações em três: Governo (“ajudamos o Serviço de Inteligência dos EUA na Guerra Contra o Terror), Negócios (“seu negócio depende de inteligência em tempo real sobre coisas como propriedade intelectual”) e Usuários Únicos (“indivíduos encontram dificuldade em usar os mecanismos de busca convencionais”). A Bright Planet não divulga sua cartela de clientes em seu site.

A disseminação de conhecimento e bens culturais na parte de baixo da web também é mais radical do que estamos acostumados. Fóruns de programação bem mais cabeçudos que os da internet superficial, livros até então perdidos, músicas que são como achados em um sítio arqueológico em Roraima, artigos científicos – pagos na web normal, gratuitos na Deep – Tudo que existe na web, existe de maneira muito mais agressiva na DW. Tanto pro bem quanto pro mau.


3 coisas que você precisa saber sobre a Deep Web:

- Para navegar na Deep Web, as pessoas costumam usar o TOR (The Onion Router), um software que impede que suas atividades online fiquem registradas e sejam bisbilhotadas por quem quer que seja. É o browser mais seguro e privativo - fatores importantes, tendo em vista que a Deep também é pródiga em vírus de todos os tipos e tamanhos.

- O principal jeito de usar a DW, pelo menos para um principiante, é a Hidden Wiki, o Google do subsolo internético. Ele é o índice que vai te levar para os locais em que você desejar. InfoMine e WWW Virtual Library são as plataformas mais recomendadas para busca de conteúdo acadêmico.

- Uma dica recorrente é: enquanto estiver na Deep Web não baixe nada, não fale com ninguém. A internet está cada vez mais censurada e pode ser que a DW seja sim a alternativa para a boa e velha (e nunca vista) liberdade totalitária. Contudo, se você resolver se aventurar de fato, é bom parar um minutinho e pensar em tudo que os homens podem fazer quando não tem ninguém dizendo não.

Fonte : http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI331438-17770,00-NEM+TUDO+SAO+TREVAS+O+LADO+BOM+DA+DEEP+WEB.html
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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Deep Web, a internet profunda.....

No submundo da internet, site vende drogas e movimenta cerca de R$ 2,4 mi por mês
ALEXANDRE ARAGÃO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

No Silk Road, todo comércio é possível. Esse grande mercado na internet vende vários tipos de droga (de haxixe do Marrocos a cocaína da Holanda e cogumelos dos EUA), remédios controlados, equipamentos para hacking e espionagem, joias falsas, pacotes de conteúdo pornográfico.
  • 'Internet profunda' abriga de dissidentes a pedófilos
  • Site Silk Road usa moeda virtual que protege identidade de doador
  • Para usuário, mercado resolve problema atual
Criado há dois anos, o serviço é investigado pela polícia dos EUA, mas continua no ar porque está escondido na "deep web", a internet profunda, espaço da rede só acessível usando o Tor, um browser para navegação anônima.
Nele, os sites têm endereços cifrados e não podem ser encontrados por mecanismos de busca tradicionais, como o Google.
Ao todo, o Silk Road movimenta cerca de R$ 2,4 milhões por mês, segundo Nicolas Christin, da Universidade Carnegie Mellon (EUA), autor do primeiro estudo sobre o site.
Concluída em julho do ano passado e revisada em novembro, a pesquisa mostra que a maioria dos vendedores comercializa poucos itens, que as entregas são feitas por correio e que drogas são o carro-chefe. Em entrevista, Christin explica o que isso significa: "O Silk Road concorre com o traficante da esquina, não com grandes cartéis".
Com 14% dos itens à venda, a principal categoria é maconha, inclusive em volume de negócios. "Suspeito que o site não seria viável se não comercializasse esse tipo de produto", diz Christin, diretor-associado do Instituto de Informação em Rede da universidade.
Na "web da superfície", como usuários da "deep web" chamam a internet comum, há poucas menções ao Silk Road. A ideia é manter o mistério: quanto menos atenção chamar, melhor. Questionado pela Folha, o responsável pelo site limitou-se a dizer: "Desculpe, temos uma política de não falar com a imprensa".
O pseudônimo usado pela pessoa -ou pelo grupo- por trás do site é Dread Pirate Roberts, personagem do romance "A Princesa Prometida" (1973), de William Goldman. No livro, Roberts não é só um pirata, mas vários, que repassam a alcunha uns aos outros em uma sucessão criminosa.
Editoria de Arte/Folhapress
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